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domingo, 21 de outubro de 2012

O MUSEU DA MODA BRASILEIRA




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O MUSEU DA MODA

DO

RIO DE JANEIRO

"Antes tarde do que nunca" seria a melhor expressão para se referir ao recém lançado projeto de criação de um museu da moda nacional. Finalmente alguma atitude em encarar a moda a sério foi tomada, reconhecendo-se assim a importância da moda para a economia de um país, assim como para a sua história. Pois através da moda a história da humanidade é contada. Nós, a humanidade, nascemos nus e desde então somos vestidos e vestimos todo tipo vestuário baseado em um conceito de vida, de uma moral vigente, com suas características que lhe dão contorno e estilo, uma identidade. Assim, através da criação do museu da moda, o Brasil passa a ser conhecido e respeitado pela sua moda. Não somente pelos povos de outras nações, mas principalmente pelo próprio povo brasileiro, que verá a sua história de identidade representada, consagrada e conservada oficialmente em uma instituição cultural de preservação da nossa memória. Saudemos então à chegada de um novo tempo para a cultura da moda brasileira e partir de então possamos resgatar fragmentos de seu passado e restituí-lhe a sua importância devida.

A criação do primeiro museu da moda brasileira será possível graças à parceria entre
o instituto Zuzu Angel com a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.
E também pelo esforço de Hildegard Angel, que muito tem
feito pela moda nacional e sua memória. Sua mãe,
Zuzu Angel,
é parte importante dessa memória.


A MARQUESA DE SANTOS

Da moda nasce a moda, e a musa do futuro museu da moda não teria sido melhor sugerido pelo próprio  tempo. Terá como sede de seu museu a casa onde viveu a cortesã do primeiro imperador do Brasil, Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos. A casa da Marquesa já é sede do museu do primeiro reinado. Como a moda, a coquete real, Domitila, servia ao imperador como objeto prazer, de entretenimento e  distração. Assim, serviu-se também, Domitila, da moda. Usando a moda como entretenimento e distração, mas também com símbolo de distinção e poder. E sendo a moda subserviente à vaidade, ela estava presente de forma relevante na vida dessa mulher.

Porém há quem conte melhor a vida e a história de Domitila, apresento-lhes o seu historiador:


Museu Primeiro Reinado - Casa Marquesa de Santos 016.jpg











Museu Primeiro Reinado - Casa Marquesa de Santos 016.jpg









Mas como é no passado que se lança as sementes para o futuro, foi o que pareceu acontecer em relação ao museu. A revista Vogue Americana do ano de 1965, usando-se das escadarias externas do jardim como cenário para a sua moda, parecia indicar o antigo solar o seu futuro ligado à  moda. Acaso ou predestinação, qual seria a razão de sua destinação futura?





Fachada com salão oval da casa da Marquesa de Santos



E ASSIM NASCE UM MUSEU...

Como descrito anteriormente, a casa da marquesa será
a vitrine para os anexos futuramente construídos, onde
 abrigarão as galerias. Cada uma dedicada a um
determinado tipo de acervo. Façamos então
 uma visita ao museu do primeiro reinado
para que possamos conhecer melhor esse
cenário predestinado a guardar a memória.
E também a contar tantas histórias,
desde os tempos imperiais ao futuro a que se
 propõem. Comecemos a nossa visita pela
 casa da Marquesa e em seguida pelas futuras
 alas ,de certa forma, visualizadas por mim.

Museu Primeiro Reinado - Casa Marquesa de Santos 016.jpg





Museu Primeiro Reinado - Casa Marquesa de Santos 005.jpg


A deusa da moda num lago encantado, como um espelho a refletir a sua vaidade, pois dela depende a moda. Moda é a imagem que vive da imagem, reflexos dos reflexos.





E como uma deusa da moda a Princesa Diana de Gales se perpetuou  para toda eternidade da história na moda universal. Hoje, Diana repousa numa pequenina ilha no centro de um lago em Althorp, tal qual a nossa deusa da moda. E como referência da moda aliada ao poder, assim como a Marquesa de Santos, a princesa se fará presente no museu através desse vestido creme com o corpo bordado de pérolas da estilista Catherine Walker. Uma peça importante do acervo do Instituto Zuzu Angel à espera de seu espaço permanente no cenário das artes da moda.













"ALA ZUZU ANGEL,
 O ANJO DA MODA."


Uma das alas principais do futuro museu, abrigará todo
o acervo sobre a Zuzu Angel. A mineira de Curvelo que
mudou-se para o Rio de Janeiro quando ela era ainda
a capital do Brasil. Com o seu jeito caseiro de costurar,
fez o seu nome na moda nacional. No seu atelier
reconstituído no museu, além dos vestidos,
dos móveis,  da máquina de costura e tesouras,
 fitas métricas e agulhas, até a uma cama integrará
a ala Zuzu Angel, pois a cama muitas vezes serve
como suporte para se estender as costuras.
 Coisas de uma costureira de mão cheia lá pros
lados das Minas Gerais. E anjos, anjos por toda parte,
 para nos elevarmos e assim superarmos o outro lado
da história dessa grande mulher. O lado em que essa
 representante da moda brasileira incomodou o poder
vigente ditatorial desse país.

Uma mãe em busca da verdade de seu filho,
da verdade do seu martírio e sua morte.
 Uma mulher em busca de seu anjo.


















E a moda brasileira se fez presente no museu
 Histórico Nacional, reivindicando o seu espaço
 no cenário artístico e histórico brasileiro.











ALA CARMEN MAYRINK VEIGA

E muito curioso notar que na mesma revista
 Vogue do ano de 1965, consta em suas
páginas, a presença de Carmen Mayrink Veiga.
 Ela que fora manequim para a casa Vogue
e também de Maria Augusta Teixeira
da Scarlet Modas, a mesma Scarlet onde
Dener e Clodovil trabalharam por um
 determinado período, nos seus
tempos de solteira, na outrora
pacata São Paulo. Fora modelo para
a Vogue daquela edição. Levando em
consideração que grande parte do acervo
do futuro museu da moda brasileira,
 mais de 72 modelos Haute Couture, vem da
generosa doação da coleção
particular da Carmen Mayrink Veiga.
Esse curioso fato reforça a tese da
 predestinação da casa da Marquesa de Santos
como sede do primeiro museu da moda
brasileira. Nos grandes salões pelo mundo,
 Carmen Mayrink Veiga se fez notar
pela sua postura elegante e bem vestida.
Foi o desejo de todos os costureiros nacionais
 vesti-la, alguns o fizera, principalmente
o Guilherme Guimarães. De festas em
festas no gran monde, a Carmen fez
 a sua coleção de vestidos Haute Couture.
 Usou e reusou os seus vestidos de griffe
até o momento em que decidiu doa-los
 para enriquecer a cultura da moda
brasileira. E dessa vasta doação
é que se faz necessário a criação desta
ala em seu nome. Uma ala em
sua homenagem pela sua generosidade
em contribuir para a cultura desse país.

Museu Primeiro Reinado - Casa Marquesa de Santos 016.jpg


Uma exposição, realizada na casa Julieta Serpa no
 Rio de Janeiro,
 nos mostra o mundo em que Carmen Mayrink Veiga 
viveu. O mundo da alta moda. No vídeo acima temos
como introdutora desse mundo a Hildegard Angel,
que nos faz ter uma ideia de como será
 essa ala que levará o nome de 
Carmen Mayrink Veiga.
.


A essa ala, Carmen só a faz crescer, doou mais
 esse vestido Haute Couture da griffe de
 Hubert de Givenchy. 
Vestido esse incopiável,  segundo o costureiro
Guilherme Guimarães.
Sabe-se que Antônia Freering herdara de sua mãe
 vários vestidos, futuramente, talvez, eles
possam fazer parte dessa ala dedicada
 à sua mãe. A Ala Carmen Mayrink Veiga.





ALA FERNANDA COLAGROSSI

Essa ala é uma idealização minha, e foi concebida a partir
 de uma doação por parte da Fernanda Colagrossi ao
 instituto Zuzu Angel, um vestido da griffe
"Christian Dior".
 Como é vasto o número de peças de nomes representativos
da moda mundial no guarda roupa da
 Fernanda Colagrossi,
imaginei que, futuramente algumas dessas peças possam
 estar presentes no futuro museu. Criando-se assim
a ala Fernanda Colagrossi. Tratasse de uma ideia
que pode transformar-se em uma inspiração. Afinal qual
 o melhor destino para peças de vestuário de valor
significativo na história da moda?



Vestido Dior, provavelmente da época em que Marc Bonhan desenhava para a casa.
Uma doação preciosa e generosa por parte de Fernanda Colagrossi.











   
A Casa Vogue, casa de modas paulista que reproduzia 
griffes francesas,  se faria representar através desse 
vestido e casaco bem ao estilo dos anos 60.

Ou através desse Voguinho, uma etiqueta para 
os jovens clientes da Casa Vogue.


Costume "Toureador" .Casa Vogue.
O estilo inspira a Fernanda, mas 
as touradas ela reprova
com total horror.








A moda feita por mulheres
 para vestir as mulheres,
como a Zuzu Angel,
Maria Angélica e
Liliana Syrkis
da casa Colette
fizeram a moda e
a sua história no
Rio de Janeiro
Elas, sempre menos
temperamentais
do que os chamados costureiros.




Emílio Schuberth vestiu Sophia Loren,
a princesa Soraya, Gina Lollobrigida, Ava Gadner,
Valentina Cortese, Wanda Osiris, Brigitte Bardot
e.........Fernanda Colagrossi.
A alta costura romana no guarda roupa
da Fernanda. Raridade que merece um lugar num museu.








A bela Firenze e a bela moda de Emília Bellini,
uma bela cidade a inspirar a sua bela moda.




Valditevere, Firenze, o belo
da moda e da cidade na
criação da moda italiana.


Uma moda portuguesa com certeza, 
Nelson de Lisboa.
Pelo modelo, anos 60, com certeza.



Início dos anos 70, um revival da 
Hollywood dos anos 30 toma conta
da moda. E assim, talvez, Guilherme
Guimarães se inspira em Joan Crawford,
interpretando a sua Letty Lynton.
O glamour de Adrian fazendo da
Fernanda, uma estrela glamurosa.






GUI-GUI
Guilherme Guimarães, criativo e prático,
peças que se podem usar com o mesmo
vestido ou saia. Simplificando o guarda
roupa e a vida de uma mulher.


Nada como ter uma boa amiga para se
 encomendar um vestido, como esse
Oscar de la Renta,
que a Fernanda encomendou à amiga
Carmen Mayrink Veiga.
E dessa forma Carmen contribuiu
mais uma vez com a moda, reforçando
o seu nome como ícone e prestigiadora
dela. Detalhe: A dona do vestido ainda
guarda a nota de compra desse vestido.
O que seria algo importante para
 observamos os preços das roupas
 pelos tempos.






Um Courrèges menos espacial,
Andre Courreges fez o seu
 nome no cenário
futurista da moda dos
anos 60. Fez assim
parte  do guarda roupa de Fernanda Colagrossi.


A doçura do romantismo do José Ronaldo, 
nome relevante em nossa moda.
Merece o seu espaço no museu.




A explosão de cores na moda italiana de Emílio Pucci.
Anos 60. What a vintage clothes!!!



Como Clodovil, Fernanda teve a sua imagem e elegância
retratados por Darcy Penteado. Detalhe glamuroso
de pessoas glamurosas na história da moda brasileira.


TEREMOS


PERLA LUCENA MATTISON

Eugênia Sheppard publicou certa vez que
Perla Lucena Mattison vestia-se
 principalmente com Pierre Balmain,
 passou a usar Grès e Dior depois.
Será que teremos algum traje
"Jolie Madame" do Balmain no
museu? Pois Perla doara seus 
mais precioso ao instituto Zuzu Angel.


CLODOVIL HERNANDES
Clodovil não possuirá uma ala própria no museu da
moda brasileira, devido às poucas peças suas no acervo,
mas se fará presente através de algumas de suas criações.
E para complementar mais a presença de Clodovil no museu,
o Instituto Zuzu Angel de Moda participou do leilão de 
de objetos de Clodovil realizado meses atrás. Foram
 arrematados com recursos próprios do instituto os lotes
 54 e 59, um conjunto de  necessaires de couro forradas
com tecidos personalizado e  um baú para guardar
 tecidos, ambos criações assinadas por Clodovil.










Clodovil encerra, aqui, de forma conclusiva,
a predestinação da casa da Marquesa de Santos
como o museu da moda brasileira, ao nos mostrar
um objeto que pertencera à Marquesa. Sendo assim
confirmado que é no passado que se lançaram
 as sementes para o futuro do hoje e do amanhã.
E que se cumpra essa realidade, que se cumpra
O MUSEU DA MODA BRASILEIRA.








DANIAN





Fotos do Instituto Zuzu Angel, Fernanda Colagrossi, André Mendonça e internet.


2 comentários:

Claudia disse...

Danian, querido: Belíssima postagem!! Um verdadeiro mergulho na história da moda...Ótima divulgação de um museu, que espero a tempos que aconteça!!O povo carioca deve estar orgulhoso.
Merecida homenagem a Zuzu Angel.
Parabéns!!! Continue nos prestigiando, sempre!!!
Beijos com carinho,
Claudia

Danian Dare disse...

Espero, querida Cláudia, que esse projeto se realize para que assim possamos ter a nossa memória registrada e valorizada. Raras são iniciativas como essa, rara é a seriedade que esse assunto é tratado.